Mordida aberta, o grande desafio: recado ao nosso paciente.


Mordida Aberta: recado ao nosso paciente.

Os dentes da arcada superior foram feitos para encaixar (ocluir) com os da arcada inferior e vice-versa. Quando isso não acontece estamos diante da famosa “Mordida Aberta”.


O tratamento da Mordida Aberta (MA) talvez seja o mais desafiante dos tratamentos ortodônticos. Saber entender as suas particularidades é fundamental para o êxito da terapia. A MA pode se localizar na região anterior, posterior ou ambas e para cada situação um diagnóstico específico, que leva em consideração não só os dentes, mas também a face.


A MA anterior é a mais comum e conhecida. A dificuldade de cortar alimentos com os dentes anteriores cria uma dificuldade no ato da mastigação que não só perturba como também constrange. Quem não gosta de dar uma boa mordida em um sanduíche ou pedaço de pizza?


A intervenção é complexa, porque é necessário avaliar as inúmeras variáveis que fazem parte do problema e cada uma tem o seu grau de influência. Entretanto, é preciso entender, de uma maneira geral, que trata-se do tratamento de uma dobradiça que não encosta as suas partes. A solução deste enigma começa pela causa e finaliza na melhor solução estética e funcional, mas não tem nada de trivial.


Perceber quando os fatores estéticos e funcionais convergem ou divergem é o primeiro passo no caminho do resultado satisfatório. Este conceito parece simples, mas não é. Tratar uma mordida aberta em um paciente com sorriso baixo é completamente diferente daquele com sorriso alto (gengival). Soluções muito distintas para o mesmo problema. Saber qual é a influência que a estética dentofacial exerce no planejamento oclusal (funcional) é respeitar os limites de um tratamento compensatório e aceitar as possibilidades de auxílio cirúrgico, algumas vezes necessário. Desrespeitar essa integração é não conhecer a íntima relação entre forma e função.


E os desafios não param por aí!


Tão difícil quanto tratar é manter os resultados. Talvez, a mais recidivante das más oclusões merece atenção e respeito. Os fatores genéticos e ambientais precisam ser minuciosamente conhecidos para que as desagradáveis surpresas de instabilidade não façam parte daquela incômoda coleção de insucessos, que todo profissional de carne e osso tem. E você, paciente, precisa dar a sua cota de compreensão e "sacrifício" fazendo uso (e aceitando!) os aparelhos que irão reeducar a postura lingual e manter os dentes no lugar (contenção).


Por fim, vale o consolo que todo desafio tem a sua recompensa. Permitir que alguém morda, com os dentes anteriores, aquela pizza fininha, sem nunca antes ter tido este prazer...não tem preço. O resto você ja sabe!


Viva a Ortodontia!

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